Números não atendem pacientes: dado de “582 médicos” em Pato Branco não reflete a realidade da saúde pública
Nos últimos dias, secretários municipais e agentes ligados à administração pública de Pato Branco passaram a compartilhar, nas redes sociais, um levantamento divulgado pelo Jornal de Beltrão, que aponta o município como líder regional em número de médicos, com 582 profissionais registrados em 2026.
O problema é que o dado, da forma como vem sendo apresentado, não reflete a realidade enfrentada diariamente pela população, especialmente pelos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).
O levantamento considera registros formais de médicos vinculados ao município, mas não faz distinção entre profissionais que atuam exclusivamente na rede privada, médicos com carga horária reduzida, profissionais que não realizam atendimento clínico regular e aqueles que não estão disponíveis de forma efetiva nas unidades públicas de saúde.
Na prática, ter médico registrado não significa ter médico atendendo.
Enquanto gráficos e números circulam nas redes sociais e em publicações institucionais, a realidade nas Unidades Básicas de Saúde e no pronto atendimento segue marcada por filas constantes, longas esperas por consultas, dificuldade para agendamento de exames, ausência de profissionais em determinados turnos e sobrecarga das equipes que permanecem em atividade.
Relatos recorrentes de pacientes apontam esperas de semanas — e, em alguns casos, de meses — para atendimentos básicos, cenário que contrasta diretamente com a narrativa de abundância de profissionais divulgada oficialmente.
Especialistas ouvidos informalmente pela reportagem explicam que indicadores quantitativos isolados não podem ser utilizados como parâmetro de eficiência do sistema de saúde, pois desconsideram fatores essenciais como cobertura real, distribuição por especialidade, vínculo com o SUS e presença física contínua nas unidades de atendimento.
O compartilhamento desse tipo de informação sem o devido contexto acaba gerando uma falsa percepção de normalidade e eficiência, além de minimizar um problema estrutural que afeta principalmente a população mais vulnerável, que depende exclusivamente da rede pública.
A saúde pública não se mede por planilhas, posts institucionais ou apresentações em PowerPoint. Ela se mede no balcão do posto de saúde, na sala de espera e no tempo que o paciente leva para ser atendido.
Diante disso, permanece a pergunta que ecoa entre os moradores do município: se Pato Branco tem tantos médicos, por que o atendimento continua falhando? Onde estão esses profissionais quando a população precisa?
Fonte: sudoeste em foco
Foto: chat gpt
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