Venezuelanos no Brasil ganham menos de um salário mínimo, mesmo escolarizados Pesquisa com 650 imigrantes indica que 78% têm nível médio completo. Ao todo, cerca de 30 mil cruzaram a fronteira em busca de vida melhor; 82% fizeram pedido de refúgio. ~ Tempo de Paz

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quinta-feira, 26 de julho de 2018

Venezuelanos no Brasil ganham menos de um salário mínimo, mesmo escolarizados Pesquisa com 650 imigrantes indica que 78% têm nível médio completo. Ao todo, cerca de 30 mil cruzaram a fronteira em busca de vida melhor; 82% fizeram pedido de refúgio.


Venezuelanos na região de fronteira tentam entrar em Roraima, em imagem de julho (Foto: TV Globo/Reprodução)

Pesquisa do Ministério do Trabalho divulgada nesta terça-feira (12) mostra que imigrantes venezuelanos que moram no Brasil estão em trabalhos precários, e que mais da metade (51%) recebe menos que um salário mínimo ao mês. Isso acontece, segundo o levantamento, mesmo entre aqueles que têm boa escolaridade.


De acordo com o ministério, cerca de 30 mil vivem no Brasil e esta é a primeira vez que o perfil desses imigrantes é traçado no país. O estudo aponta que 78% dos entrevistados têm ensino médio completo, e 32% chegaram a concluir algum tipo de formação superior ou pós-graduação.


A pesquisa foi feita com 650 venezuelanos em Roraima – estado que faz fronteira com o país latino-americano. A metodologia foi preparada pelo Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra) e a execução foi da Cátedra Sérgio Vieira de Melo, da Universidade Federal de Roraima.


Entre os entrevistados, 82% eram classificados como refugiados. A maioria, segundo a pasta, é formada por homens jovens, com idades entre 20 e 39 anos. Entre os refugiados, 77% apontam que deixaram a Venezuela por causa da crise econômica e política que afeta o país.
Raio-X do imigrante venezuelano (Foto: Editoria de Arte/G1)


Trabalho precarizado

A precarização do trabalho dos venezuelanos é expressa na folha de pagamento e no registro de ponto. Segundo o Ministério do Trabalho, em média, eles trabalham mais de 40 horas por semana e recebem entre 1 e 2 salários mínimos mensais.

Os dados mostram que, apesar dos baixos salários, a maioria (60%) já possui alguma atividade remunerada no Brasil, sendo apenas 28% efetivamente empregados. Desses, apenas 23% têm carteira assinada em áreas como comércio (37%) e alimentação (21%).


Para o presidente do Conselho Nacional de Imigração da pasta, Hugo Gallo, a pesquisa é importante para subsidiar a formulação e implantação de políticas migratórias específicas aos venezuelanos no país.

“Trata-se de uma imigração com forte potencial de ser inserida no mercado de trabalho brasileiro, dado os perfis etário e de escolaridade deles”.

O levantamento mostrou ainda que os venezuelanos que chegam a Roraima apresentam pouco conhecimento de português. Como muitos não estudam o idioma local, segundo o governo, isso dá mais peso ao dado de 48% deles não tem acesso a nenhum serviço público.)

Fluxo migratório



Ainda de acordo com o perfil montado pelo Ministério do Trabalho, 77% dos venezuelanos entrevistados em Roraima aceitaria se mudar para outros estados brasileiros – mas, para isso, teriam de receber maior apoio da União.


Para esses refugiados, o principal atrativo para esse deslocamento interno seria a oferta de trabalho em outras regiões, em especial, o Centro-Sul do país. Os pesquisadores avaliam que essa dispersão dos refugiados poderia ajudar a desafogar o mercado de trabalho de Roraima, que tem "suas dificuldades em acomodar as quantidades de pessoas quem tem chegado".


Para o professor da Universidade de Brasília (UnB) Leonardo Cavalcante, que pesquisa os fluxos migratórios no país, o fenômeno que envolve a chegada de venezuelanos no Brasil é “complexo, difícil de conceitualizar e medir”.



“É um fluxo migratório contínuo, sem precedentes e de grande volume, mas o processo como um todo se mostra administrável.”






Economia




Motivados pela forte recessão econômica vivida no país de origem, 47% dos venezuelanos que chegaram ao Brasil não tem pretensão de voltar, segundo a pesquisa do Ministério do Trabalho. O maior medo, para 52% dos venezuelanos no Brasil, é da violência praticada por "agentes de estado" do governo de Nicolás Maduro.


Entre os 25% que afirmaram aos pesquisadores o desejo de voltar à Venezuela, a maior parte estima prazo superior a dois anos para esse regresso. Além disso, eles dizem que o retorno estaria condicionado à melhoria da situação econômica no país.


Para o representante do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) no Brasil, Paulo Sérgio de Almeida, o processo migratório dos venezuelanos no país é “complexo”. Segundo ele, o governo brasileiro tem compromisso mundial com a proteção a refugiados porque é signatário do estatuto internacional.


Esse compromisso, segundo o pesquisador, significa que o Brasil não pode, "em nenhuma hipótese, devolvê-lo aos países onde há ameaça”.



“Esses migrantes têm necessidade específicas de alimentos e medicamentos, por exemplo. É um fluxo composto por pessoas perseguidas: falamos de mulheres sozinhas, indígenas e crianças; há uma grande diversidade no perfil de pessoas que se deslocam.”




Para Almeida, devido a esta "diversidade", o perfil da imigração venezuelana no Brasil (pessoas jovens, qualificadas e em idade laboral) é positivo e "traz enorme contribuição ao desenvolvimento do país".


“Com os conhecimentos e perfil profissional, eles agregam valor ao mercado de trabalho brasileiro, enriquecem a diversidade cultural e propõem novas demandas a nós, brasileiros. Acolhê-los significa trazer mais desenvolvimento econômico ao nosso país.”

FONTE:https:MAIS INFORMAÇÕES>>>//g1.globo.com/
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